Depois do escândalo da carne de cavalo, a Autoridade
Europeia de Segurança Alimentar lançou a semana passada um relatório que pôs o
nosso país novamente em estado de alerta. Tudo porque foram detetados resíduos
de pesticidas acima dos limites máximos permitidos em… papas para bebé. Segundo
este relatório, Portugal é um dos seis países da União Europeia em que são
vendidas papas embaladas nestas condições e que são analisadas em laboratórios
não acreditados.
Este problema levanta algumas questões: primeiro, leva-nos
a pensar o que existe realmente por detrás das papas de bebé… Até que ponto
serão totalmente seguras ? Será que fazemos bem em dá-las aos bebés, mais
frágeis e mais suscetíveis aos efeitos nocivos destes pesticidas ? Estaremos
conscientes da quantidade de pesticidas presentes nos alimentos que consumimos?
Para além disso, porque é que alguns dos alimentos comercializados no nosso
país são analisados em laboratórios não acreditados? Será que alguns destes
problemas não poderiam ser evitados se investíssemos um pouco mais na análise
acreditada dos alimentos? Vamos esperar para termos algumas respostas…
A DECO não demorou a defender-se, dizendo que tem feito
testes comparativos em alimentos para bebés e que nunca foram detetados
resíduos de pesticidas nestas análises. A Secretaria de Estado da Alimentação e
Investigação Agro - Alimentar também não se fez esperar e esclareceu que “os
alimentos produzidos especificamente para bebés respeitam o cumprimento de
requisitos próprios, nomeadamente quanto à sua composição nutricional, resíduos
de pesticidas e rotulagem específica”, previstos na legislação relativa aos
alimentos à base de cereais e aos alimentos destinados a latentes e crianças
até aos três anos. Segundo este órgão do governo, as papas que continham
pesticidas não estavam rotuladas especificamente como alimentos para crianças…
É tudo uma questão de português!
O que podemos fazer, como consumidores, para evitar consumir pesticidas e outros contaminantes? Hum, não muito. Podemos estar atentos aos campos de cultivo perto das estradas, por exemplo e, se tivermos poder de copra para isso, preferir hortícolas produzidos através de técnicas de agricultura biológica. Mas cuidado porque os rótulos e as denominações de venda podem muitas vezes induzir-nos em erro! Em suma, por muito atentos que estejamos, podemos sempre ser "enganados".
Talvez a solução passe por cultivarmos/produzirmos os
alimentos que consumimos, mas será que
algum de vocês está disposto a isso? É uma questão a ponderar ;)
Stick with us and take another bite.

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