O jejum intermitente (Intermittent
fasting ou IF) é um conceito pouco convencional que tem vindo a ser abordado e
estudado de forma mais ponderada nos últimos anos. De uma forma geral, consiste
numa dieta muito restrita caloricamente durante 1 ou 2 dias por semana,
enquanto nos restantes dias se pratica uma dieta ad libitum, ou seja, sem restrições. Crê-se
que os resultados aparecem sem necessidade de restringir a alimentação nos
restantes dias, porque parte-se do princípio que as pessoas ao aderirem a este
tipo de dieta já irão estar mais sensibilizadas de que não devem exagerar nesse
período. Mas será que isto é verdade para todos os casos?
O interesse neste tipo de
estratégia tem aumentado, porque estudos experimentais sublinharam o potencial
para corrigir alterações metabólicas e também uma melhor aderência que outros
métodos.
No seguinte artigo de revisão é possível ler sobre algumas dessas alterações. Evidencia-se a maior
resistência das células ao stress após períodos de IF, sendo o efeito protetor
mais acentuado que em dietas de restrição calórica. Em análise estiveram as
células HepG2 (human hepatoma cell line) e a expressão do gene Sirt 1.
Metabolicamente, observa-se uma diminuição do estado inflamatório (⇓ IL-6,TNF-α,CRP), melhoria do perfil lipídico (⇓ TG e ⇑ HDL) e também um aumento da oxidação da fração lipídica, que tem maior requisição como recurso metabólico.
Já no seguinte artigo mostrou-se como o jejum intermitente combinado com redução calórica foi eficaz
na diminuição de peso e massa gorda num grupo de mulheres obesas. Apesar dos
resultados positivos o estudo apresenta várias limitações, entre as quais a
inexistência de resultados que diferenciassem as duas variáveis, jejum
intermitente e redução calórica, e a baixa amostragem.
Um dos maiores problemas deste tipo de dieta é a manutenção do peso alcançado no período pós dieta, sem o jejum intermitente. Interessa também saber quais as consequências para o organismo de manter este comportamento por um longo período de tempo. Será que as pessoas mudam os seus hábitos alimentares e se tornam mais saudáveis ou, por outro lado, continuam com a mesma rotina alimentar que tinham antes da dieta?
Aguardam-se mais estudos sobre
esta temática que permitam avaliar o efeito deste tipo de jejum a longo prazo e
numa escala superior, de forma a se retirarem conclusões mais precisas sobre os
seus possíveis benefícios ou efeitos prejudiciais. Dito isto, não se aconselha a sua utilização ou de
qualquer outro tipo de dieta sem a consulta prévia de um profissional da área
de Dietética e Nutrição. Só dessa forma poderá ter um plano alimentar
verdadeiramente adequado às suas necessidades.
Sitck with us and take another bite.

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